Até pessoas pouco informadas sabem que China é rica e poderosa; que seus produtos estão em todo lugar a preços acessíveis, e sabem que alguns duram pouco, e que outros são praticamente indestrutíveis.
Cabe analisar a razão de tudo isto, visto que o país atinge números estratosféricos de habitantes, quantidade que chegou a 1,411 bilhão em 2020. É uma população que precisa de alimentos, de moraria, de serviços médicos, de serviços educacionais, de serviços de transporte, de serviços comunicações e assim por diante. Eles realmente necessitam muitas coisas.
O país é formado por essa massa humana que mora dividida em províncias; áreas que conservam sua língua e sua independência administrativa e que continuam prosperando graças a suas Zonas Econômicas Especiais, ZEEs, que congregam indústrias de todos os portes e de todas as origens.
Trata-se de Zonas Econômicas Especiais que sabiamente foram instaladas junto ao litoral da China e próximas dos Tigres Asiáticos formados pelas economias da Coreia do Sul, Taiwan, ingapura e Hong Kong. Localização estratégica que permite as trocas de mercadorias e o recebimento portuário de matérias primas, bem como o escoamento dos produtos acabados para os mercados mundiais.
Indústrias americanas, europeias e algumas latinas se instalaram nestas ZEEs para usufruir da total isenção de impostos e de uma mão de obra altamente produtiva que entende que trabalhando estão agradecendo as Divindades que cada uma professa, por terem saúde, família e energia para trabalhar. Existem várias Divindades.
As ZEEs, são administradas por um comitê formado por representantes das indústrias que, por sua vez; recebem do governo o apoio necessário para operar, que consiste em instalações de serviços de iluminação, água e esgoto. De escolas para os filhos dos trabalhadores e de institutos técnicos para preparar e aprimorar a expertise da mão de obra.  
Com infraestrutura adequada e segurança pessoal e patrimonial garantida, as fábricas tem o compromisso junto ao Governo, de exportar 80% do que produzem e de comercializar dentro do país os outros 20%.
As operações de remessas de lucros ao exterior são livres; condição que incentiva outros produtores a mudar sua indústria para China, para fabricar bens de alto valor agregado como satélites, navios e aviões de guerra de alta performance ou produtos variados de consumo.
Não é toa que os chineses dia-a-dia estão enriquecendo e elevando seu padrão de vida em um processo continuo que só tende a crescer, em um país que convive com dois sistemas: o socialista e o capitalista. Sendo que tudo o relacionado a saúde, educação e segurança é socialista; e o que concerne a investimentos, produção e negócios é capitalista.
Qual é o segredo do crescimento da China? A eliminação da burocracia de todos os processos e a isenção de impostos.
O que ganha em troca a China? A entrada de capital estrangeiro para investimentos; a entrada de euros e dólares americanos pelos produtos vendidos no exterior; a expansão das oportunidades de emprego; o desenvolvimento de novas tecnologias e o aprimoramento das existentes.    
As indústrias que operam na China produzem bens de consumo perfeitamente adequados a cada mercado. Assim, países com poucos recursos recebem produtos de excelente aparência fabricados com materiais econômicos de curta duração e nações nas exigentes recebem bens de consumo de alta duração. Desta forma, as empresas fabricam os bens que cada mercado necessita, que são comercializados a preços perfeitamente ajustados a capacidade de compra das pessoas que ali residem.  
O crescimento da economia chinesa é bastante paradoxal, e extremante interessante para analisar. O país possui línguas e dialetos regionais, sendo que nos dias de hoje são falados 81 idiomas. As diferentes nacionalidades que compõem a nação Chinesa usam mais de um idioma para se comunicar, com variações de sentido na oralidade e na escrita.  
Nas cidades mais habitadas o Mandarim é a língua mais falada, e como é uma língua tonal, cada entonação de uma palavra carrega um significado. É claro que também se fala Cantonês e WU, línguas pouco compressíveis para os estrangeiros e mesmo para os chineses de outras
etnias.  
Aqui deixo uma pergunta: Porque o Brasil que fala um idioma único; que tem um litoral invejável pela sua extensão; que tem todos os climas para viver e produzir; que tem profissionais altamente qualificados bem como uma extensa mão de obra desempregada apta para trabalhos manuais como montagem
de componentes e tarefas de costura, desperdiça seus recursos?  


Rodrigo Hernan Gonzalez Ruiz, é Doutor pela Universidade de São Paulo, USP., e Pós-graduado em Política Internacional pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Fesp. Visite-nos: https://www.linkedin.com/feed/

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