pandemia do COVID-19 deixou as cadeias de suprimentos globais de pernas pro ar. Países de todo o mundo reconheceram as vulnerabilidades em suas cadeias de suprimentos, muitos deles até mesmo culparam o Just In Time (JIT), mas, ao analisarem um pouco melhor, viram que o problema não era o JIT e sim sua estratégia de Sourcing

Como resultado, as empresas de uma forma geral começaram a enxergar suas cadeias de suprimentos de uma maneira diferente

Um foco particular foi colocado na dependência global da China, já que foi o primeiro país afetado pela pandemia e também por causa das tensões diplomáticas que surgiram entre a China e vários países ocidentais, incluindo Austrália, Canadá, EUA e Reino Unido. 

Claro que, por baixo dos panos, há um bate papo informal, apontando que, quando as cadeias de suprimentos começarem a se estabilizar, empresas e governos abandonarão silenciosamente a retórica nacionalista do “faça aqui” e as cadeias de suprimentos voltarão ao normal. Os produtos serão comprados do fornecedor mais barato, em qualquer lugar do mundo em que esse fornecedor esteja localizado. 

Mas, nós da Eyesight acreditamos que uma reavaliação das cadeias de suprimentos internacionais já está atrasada, a pandemia apenas colocou em foco problemas que são óbvios há pelo menos cinco anos

Por isso, acreditamos que o Lean pode nos ajudar e muito no que diz respeito a nossa estratégia de Sourcing. A Toyota tem os 4Ps e um deles é “People & Partners” (Pessoas e Parceiros), e um dos princípios básicos para o bom funcionamento do Lean é ter seus parceiros bem próximo. 

  Por isso, levantamos 3 motivos para você manter seus fornecedores bem perto de você: 

  1 – CLIENTE INCONSTANTE 

Clientes de hoje não esperam mais. À medida que os mercados desenvolvidos amadurecem, as empresas precisam oferecer um melhor serviço, mais personalização, produtos mais novos e atualizados para competir e crescer. Os ciclos de vida do produto foram compactados, a gama de produtos se expandiu e a personalização está sendo oferecida e esperada em um patamar cada vez maior. Os prazos de entrega longos são inimigos da flexibilidade e capacidade de resposta. Portanto, a produção deve ser o mais próxima possível do cliente para restaurar essa capacidade de resposta

2 – MUDANÇA TECNOLÓGICA  

Estamos no meio de uma quarta revolução industrial impulsionada por tecnologia digital avançada, habilitada para Internet. A tecnologia de fabricação está se tornando mais inteligentefácil de usar e, em muitos casos, mais barata em relação aos benefícios que ela pode oferecer. Isso significa que o conhecimento e o financiamento necessários para aumentar a capacidade de fabricação local em muitos setores estão mais acessíveis do que nunca. 

3 – RISCO GEOPOLÍTICO E DA CADEIA DE SUPRIMENTOS 

Infelizmente, nos últimos anos, o mundo se tornou um lugar muito incerto. As tensões políticas estão em ponto de ebulição em muitas partes do mundo, levando a barreiras formais e informais para facilitar o comércio. A proteção da propriedade intelectual e da governança continua sendo um problema em muitos países em desenvolvimento e, em alguns casos, está piorando. Além disso, a pandemia interrompeu totalmente o comércio internacional e a logística. O frete aéreo tornou-se difícil de obter, caro e imprevisível. A escassez se espalhou por vários setores. Como resultado, é provável que cadeias de suprimentos previamente confiáveis enfrentem algum nível de interrupção por meses, senão anos. 

 Ou seja, se você não se basear no “People & Partners” da Toyota, tornando seus fornecedores parte da sua equipe e fazendo com que estejam perto de você para enraizar o seu DNA, provavelmente no mais simples problema só lhe restará culpar o Just in Time

Por: Ramon Farias

Fundador da Eyesight (A escola do BEN – isso com N mesmo heheheh), um cara que fez engenharia por gostar de máquinas e acabou trabahando com pessoas (e se apaixonou por isso), apaixonado por Tecnologia, entusiasta da Filosofia Lean, metodologias Hands On, Storytelling, e um monte de coisa que ajuda as pessoas a ver o mundo de uma forma diferente (chama a galera do Oclinho). E, Petropolitano: sendo ponte do passado para o futuro na Serra.

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