Por que os fretes internacionais estão tão caros e tão escassos?

Importadores e exportadores estão passando pelo pior momento na logística global desde 2020.

Em março de 2020, o COVID-19 foi caracterizado como pandemia pela OMS, e atualmente estamos passando pelo pior cenário na logística desde então. Fretes com preços abusivos, falta de contêiner, cancelamento de rotas e bookings são as principais dificuldades atuais.

No primeiro semestre de 2020, os embarques diminuíram com as incertezas de mercado, porém no segundo semestre o mercado voltou a aquecer e os embarques começaram a ser retomados.

Já em 2021 a pandemia permanece e os embarques aumentaram, fazendo as operações portuárias nos maiores portos do mundo ficarem com maior demora nas liberações devido à redução no quadro de funcionários.

A prioridade no transporte de medicamentos e produtos hospitalares também se tornou um fator que impactou a logística global promovendo uma desorganização em toda a cadeia de suprimentos.

Neste ano, o frete da China disparou para até 5 vezes a mais do que antes da pandemia.

Mas o que de fato trouxe o caos à logística global?

O bloqueio no Canal Suez foi um dos fatores que agravou a situação da logística mundial em março deste ano. Aproximadamente 10% do comércio global utiliza esse trajeto, e com o bloqueio cerca de 400 navios ficaram “travados” aguardando a liberação.

Após a liberação do canal, o navio Ever Given e os contêineres foram liberados depois de 3 meses de retenção no Egito;

Em junho, o Porto de Yantian (4º maior do mundo), fechou durante uma semana após surto de COVID nos operadores, criando um efeito dominó no mercado global, impactando principalmente os portos Ásia como Shanghai.

Com a variante Delta, muitos países da Ásia decretaram novamente lockdown. Com essa determinação, houve atraso não somente na parte logística, mas também na produtiva gerando um ciclo de atrasos nas indústrias.

Qual a situação atual?

  • Armadores cancelaram contratos com importadores e exportadores por não conseguir cumprir com os acordos em relação a preço e prazo;
  • Muitas rotas foram canceladas, pois armadores estão priorizando destinos mais rentáveis e com mais agilidade nas liberações;
  • Redução no Free Time do container e custo Per Diem alto;
  • Imprevisibilidade na entrega devido maior frequência de transbordo e omissão de porto aumentando ainda mais o Transit Time;
  • Aumento de custo nos fretes já previsto para o mês de outubro;
  • Falta de espaço sem garantia de Booking, embarcando após 1 mês da solicitação;
  • Fretes tendem a subir cada vez mais devido ao Peak Season (alta temporada).

O que fazer para mitigar os riscos?

A falta de opções de armadores no mercado limitando assim a concorrência, expõe o importador e exportador a pagar preços altos com condições de free time e per diem que não condizem com o prazo de liberação aduaneira, além da falta de garantia em relação ao transit time e booking.

Alguns pontos que devem ser analisados para reduzir os riscos:

  • Manter contato direto com seu exportador, buscando antecipação de entrega;
  • Manter parceiros estratégicos na parte de agenciamento de cargas;
  • Substituir o container DRY pelo NOOR quando possível ;

Container DRY: utilizado para carga seca

Container NOOR: é o container refrigerado utilizado com motor desligado

  • Buscar solução logística interna, negociando tabelas de frete de armazenagem e fretes internos;
  • Criar cenários para avaliar os riscos das importações;
  • Buscar fornecedores nacionais;
  • Programar embarques com a maior antecedência possível;
  • Avaliar armadores, verificando os que estão alterando com maior frequência as rotas ou cancelando bookings;
  • Manter pagamentos em dia, para que não tenha bloqueio nas operações pelos armadores;
  • Acompanhe as notícias diárias;
  • Mantenha contato frequente com seus agentes de cargas para se antecipar a possíveis mudanças no mercado;
  • Negocie o ptax cobrado pelo agente de carga;
  • Fique atento ao preço do frete x free time, nem sempre o frete mais barato é o mais viável.

Podemos dizer que estamos num momento de vulnerabilidade na logística mundial.

Um porto de grande porte parar a operação durante alguns dias, pode levar meses para reestabelecer a movimentação normal.

Todos esses fatores acabam gerando um efeito cascata impedindo o planejamento de produção na indústria, impactando diretamente no valor final dos produtos. Empresas logísticas estimam uma melhora no primeiro tri de 2022.

Mesmo assim, o mercado mostra-se muito dinâmico e é de suma importância manter-se atento.

Espero que tenham gostado das dicas e desejo bons negócios !

Sou Fernanda Thaisy Steffens, estou há mais de 10 anos na área de Comércio Exterior com importação de mais de 40 países.

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