Para começar, precisamos entender essa buzzword. Então, o que é um ecossistema? Uma busca rápida na Wikipédia – hoje a maior biblioteca do mundo – nos diz que um ecossistema é definido como sendo o conjunto formado por comunidades bióticas que habitam e interagem em determinada região e pelos fatores abióticos que exercem influência sobre essas comunidades. Um pouco complicado para quem não era fã de biologia nos tempos de colégio, não? 

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No entanto, ecossistema virou buzzword não por causa da biologia, mas sim por estar ligada a ambientes de inovação e tecnologia, onde nascem e florescem boa parte das startups e onde nasceram a maioria das grandes empresas de tecnologia que conhecemos nos dias de hoje. Um ecossistema de inovação tecnológica, assim como o biológico, é um ambiente [local específico ou região] que estimula a interação e colaboração entre os que participam do meio. Nesses ambientes acontecem eventos, rodadas de negócios, brainstorming e etc., ou seja, onde de fato a interação e colaboração são vividas com intensidade. O ecossistema mais famoso do mundo é o Vale do Silício, na Califórnia – USA.  

Vamos pensar em um ecossistema de Procurement no Brasil? Eu não consigo lembrar de um. Temos diversos eventos, surgem algumas escolas dedicadas a nossa área e também associações de profissionais, eu mesmo faço parte de uma. No entanto, o que se vê é um foco muito grande em monetização da iniciativa quando deveríamos pensar em troca de conhecimento, metodologias inovadoras, parcerias genuínas e desenvolvimento de Procurement como um todo. Precisamos destravar o potencial de Procurement e atingir um crescimento exponencial na nossa área. 

Um grande amigo, o Leonardo Cerqueira, da Procurement Garage, é um ferrenho defensor – e o criador – do slogan “Somos Front Office”. Mas, de fato somos percebidos dessa maneira no nosso dia a dia? Nas nossas cias? Acredito que não, mas deveríamos. O impacto que o time de Procurement traz para o resultado de qualquer empresa, independente do setor no qual ela atua, é tremendo. É sabido que o time comercial precisa, em média, produzir 25% a mais para trazer o mesmo resultado que o time de Procurement traz para o P&L da cia com nossas negociações e parcerias. 

E por que ainda não somos vistos como front office? O que precisamos fazer para de fato sermos percebidos como estratégicos em nossas cias? Simples, precisamos urgentemente de um Ecossistema de Procurement! 

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Hoje compartilhamos boa parte das nossas vidas. Poucos são os que, em tempos permeados por tanta tecnologia, não possuem qualquer uma das redes sociais disponíveis, seja ela Instagram, Facebook, Snapchat, Linkedin, dentre outras. Nessas redes abrimos aos amigos mais próximos, familiares, colegas de trabalho e, às vezes, até mesmo pessoas que nunca conhecemos pessoalmente detalhes de nossa vida pessoal. Vivemos em tempos de radical transparency, algo extremamente importante e necessário, na minha opinião. 

Porém, quando nos voltamos para nossa vida profissional, e aqui especificamente falando de Procurement, ainda é muito escasso qualquer tipo de compartilhamento, interação e colaboração. Já temos eventos suficientes, boas escolas e muitas consultorias, mas ao mesmo tempo pouquíssimos são os eventos nos quais existe a radical transparency, o que se vê em geral são gestores apresentando suas empresas – 70% do tempo em média – e falando de forma superficial sobre práticas, ferramentas, metodologias ou roadmaps para atingirmos um nível de maturidade necessário que nos eleve de uma vez por todas ao status de estratégicos em nossas cias. Por fim, muito pouco conhecimento é produzido.

Quando participei do Conecta Sul, em 19 de Setembro de 2019 – Dia do Comprador, compartilhei com todos que ali estavam minha história de vida. Compartilhei histórico profissional, falando até mesmo de chefes bons e ruins que tive ao longo da minha breve carreira. Compartilhei emoções, reações, angústias, sucessos e aprendizados, busquei com a minha história tocar em cada um que ali estava para lhes passar todo o conhecimento possível, sem esconder ou monetizar qualquer informação que pudesse ter. Fui de peito aberto. 

Aquele dia me trouxe uma grande empolgação quanto a um Ecossistema de Procurement. Os organizadores são gestores das mais diversas empresas da região, eles possuem uma rotina de reuniões onde compartilham boas práticas, estratégias, avanços tecnológicos, metodologias, ferramentas e tudo que é necessário para chegar onde merecemos estar. Esse tipo de iniciativa é altamente escasso no Brasil, até temos alguns BPOs formados. Contudo, com muito foco em monetização e ganho de escala, o que é consideravelmente importante, mas ainda precisamos equilibrar o nível de maturidade do setor para pensar em BPOs regionais e, mais para frente, nacionais.  

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Quando olho para as iniciativas do Conecta Sul, me floresce uma esperança em um futuro onde de fato seremos front office. Anseio pelo tempo onde retiraremos o “Sul” do Conecta e colocaremos “Brasil” no lugar. Entendo que somos um país com dimensões continentais, mas não faltam exemplos na área de tecnologia e inovação para seguirmos. Criando organizações regionais, ou células, que fomentem, tal qual o time do Sul faz, a interação, o compartilhamento e a colaboração com brainstorms, rodadas de negócios e etc. podemos iniciar uma revolução em Procurement que culmine com um grande evento no dia 19 de Setembro de cada ano para nos reunirmos e consolidarmos o que foi criado em cada célula regional. A cada ano em uma região específica, organizado com o mesmo amor e empenho que vi no Conecta Sul e com os mesmos resultados impactantes que vi por lá. 

Citando Martin Luther King Jr: “I have a dream!”. E esse sonho já começou, atende pelo nome Conecta Sul.

Por: Matheus Rodrigues

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